Tentando entender as criaturas

Cuma ? Do jornal Extra:

A delegada da 4ª Delegacia Distrital de João Pessoa, Juvanira Holanda, afirmou que o acusado de agredir uma estudante africana a chutes dentro da Universidade Federal da Paraíba e cometer ato de preconceito contra a estrangeira não responderá por racismo nem por lesão corporal. O vendedor de cartões de crédito está sendo investigado apenas por injúria e vias de fato. Para a delegada, chamar uma pessoa de negro não configura crime de racismo e chutar o abdômen não é lesão corporal. Segundo a delegada, uma testemunha afirmou que o acusado disse “pega essa negra-cão” durante a confusão que se formou no campus, quando a estudante foi tomar satisfação com o vendedor de cartões por um gesto obsceno que ele teria feito para ela.

– Não houve racismo. Para caracterizar racismo tem que ter uma série de coisas. Não é só chegar e falar “sua branca”, “seu negro” ou “seu negro safado”. Só caracteriza racismo quando, por exemplo, você impede o acesso de um negro a educação – afirmou a delegada.

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Vida real

A rede caiu e eu perdi um texto enorme que escrevi a respeito. Seja como for, resumindo a ópera: eu ainda conheço gente que jura que preconceito no Brasil é coisa do passado. Alguns deles, claro, são pessoas que não andam pelas ruas da cidade, não frequentam filas de banco, não andam de ônibus em horário de rush, metrô idem, e em geral saem de seus lares e mal pisam nas calçadas durante o dia: saem dos elevadores, entram em seus carros nos estacionamentos dos condomínios, pisam nos shoppings e prédios comerciais, voltam para casa com a segurança de seus vidros fumês. Aliás, se fumês fossem internamente os vidros — dos carros, das janelas, dos egos — nem veriam que há vida humana lá fora.

#prontofalei

Do Globo Online:

Um homem negro foi espancado por seguranças de uma loja do Carrefour, em Osasco, na Grande São Paulo. Ele foi confundido com um bandido enquanto esperava no estacionamento a família, que fazia compras. A polícia abriu inquérito para apurar o caso de discriminação.

A agressão aconteceu duas semanas atrás. Januário Alves Santana estava ao lado do carro, um Escort, cuidando da filha, de 2 anos, que dormia no banco de trás. Segundo ele, um homem armado e sem uniforme se aproximou para tentar prendê-lo. Os dois lutaram até que outros seguranças apareceram. Santana tentou desfazer o mal entendido, mas disse que foi levado para um sala e espancado. Ele levou socos na boca e teve o maxilar afetado.

– Estava roubando o carro aqui, rapaz – disse o segurança pouco antes de dar um soco em Santana.

Ele disse que as agressões só pararam quando um policial militar chegou. Mesmo assim, ele continuou sendo humilhado.

– Você tem cara de que tem passagem pela polícia. Conta para nós. No mínimo, umas três passagens você tem. A sua cara não nega ‘negão’ – teria afirmado o policial.

– Pelo amor de Deus, o carro é meu – disse Januário, enquanto era agredido.

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