Um país sem educação

Ontem vi uma excelente entrevista de Salette Lemos na CNT (meujesuscristinho, será que alguém assiste a CNT além de mim ?) com uma pessoa do Instituto Ayrton Senna sobre educação. Nela, a entrevistada (não era a Viviane Senna, mas infelizmente não decorei o nome, e eram duas entrevistadas) relembrava uma pesquisa do mesmo instituto em que chegou-se à conclusão que os alunos do atual nono ano do ensino fundamental público do Brasil precisariam de 247 anos para igualarem o seu nível de conhecimento a alunos de países desenvolvidos. Entendam: 247 anos se continuar do jeito que está, no passo em que as coisas vão acontecendo, e sem contar quaisquer outros fatores não previstos.

Este não era o foco da entrevista, e claro que este número pode variar para (muito) mais ou para menos, é apenas uma previsão baseada em um conjunto X de dados, etc. Mas é sim um dado alarmante, entre tantos. E aí chegamos sempre a nossos governantes, tão preocupados com tantas coisas…

Não vou aqui fazer um post enorme recheado de ideias (e eu nem as tenho muitas, não sei se eu saberia como resolver ou minorar nossos problemas educacionais). Mas o que mais me impressiona é a total inexistência de qualquer prioridade no sentido de tentar (eu disse tentar) melhorar a qualidade de nosso ensino. Parece que a única coisa importante é colocar as crianças nas escolas em troca de um Bolsa Qualquer Coisa, aumentando os indices de alunos estudando (e até causando a falsa impressão, não somente nos pais que não tiveram oportunidade de estar dentro de uma sala de aula mas da população em geral, de que o fato de seus filhos terem merenda e uniforme é índice de qualidade na educação).

O que também me impressiona é que os prováveis candidatos ao Planalto no ano que vem não distribuirão por aí, além de santinhos e promessas vãs, um pequeno resumo de suas propostas para a melhoria da educação no país. Para os que votam, ficam várias possíveis sensações. A primeira é a de que não há, de fato, qualquer proposta concreta a respeito. Mas o pior é que muitos sequer se lembram de educação antes de escolher seus governantes: talvez seja essa a ideia, promover o esquecimento de certas questões para que as pessoas só votem baseados no foco da propaganda política cheia de parangolés.

Triste país.