Princesinha do Mar e do noticiário

04.04.2010 – 08h30 – Homem nu assusta banhistas em Copacabana
04.04.2010 – 08h14 – Três pessoas ficam feridas em acidente em Copacabana
04.04.2010 – 07h13 – Mesmo com UPP, bandidos expulsam moradora da Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana
03.04.2010 – 15h22 – Assalto a supermercado em Copacabana termina em tiroteio

Dá pra largar ?

Este é de Veríssimo, já os outros…

Outro Você
(Luiz Fernando Verissimo, O Globo, 04.04.2010)

Me dizem que rola um texto na internet com minha assinatura baixando o pau no “Big Brother Brasil”. Não fui eu que escrevi. Não poderia escrever nada sobre o “Big Brother Brasil”, a favor ou contra, porque sou um dos três ou quatro brasileiros que nunca o acompanharam. O pouco que vi do programa, de passagem, zapeando entre canais, só me deixou perplexo: o que, afinal, atraía tanto as pessoas — além do voyeurismo natural da espécie — numa jaula de gente em exibição ? Falha minha, sem dúvida. Se prestasse mais atenção talvez descobrisse o valor sociológico que, como já ouvi dizerem, redime o programa e explica seu fascínio. Pode ser. Os “Big Brothers” e similares fazem sucesso no mundo todo. Provavelmente eu e os outros três ou quatro resistentes apenas não pegamos o espírito da coisa.

Também me dizem que, além de textos meus que nunca escrevi (como textos igualmente apócrifos do Jabor, da Martha Medeiros e até do Jorge Luís Borges), agora frequento a internet com um Twitter. Aviso: não tenho tuiter, não recebo tuiter, não sei o que é tuiter. E desautorizo qualquer frase de tuiter atribuída a mim a não ser que ela seja absolutamente genial. Brincadeira, mas já fui obrigado a aceitar a autoria de mais de um texto apócrifo (e agradecer o elogio) para não causar desgosto, ou até revolta. Como a daquela senhora que reagiu com indignação quando eu inventei de dizer que um texto que ela lera não era meu:

— É sim.

— Não, eu acho que…

— É sim senhor !

Concordei que era, para não apanhar. O curioso, e o assustador, é que, em textos de outros com sua assinatura e em tuiters falsos, você passa a ter uma vida paralela dentro das fronteiras infinitas da internet. É outro você, um fantasma eletrônico com opiniões próprias, muitas vezes antagônicas, sobre o qual você não tem controle.

— Olha, adorei o que você escreveu sobre o “Big Brother”.
É isso aí!

— Não fui eu que…

— Foi sim !

(Luiz Fernando Verissimo, O Globo, 04.04.2010)