Rios e Rios

Só quem anda por tudo que é local do Rio de ônibus ou a pé consegue entender algumas realidades que são completamente estranhas aos engravatados que, de carro e nos Palácios, governam nossa cidade e nosso estado.

Hoje caminhei pelas ruas de dois bairros do subúrbio, das avenidas principais às pequenas ruelas internas, como forma de exercício matinal. Não, não sou exótico de sair cedo do bairro zona-sulento onde moro pra ir vagar por ermos de locais nunca dantes caminhados, mas tenho interesses pessoais em outros locais do Rio que não meu próprio beco das garrafas.

Por uma hora e meia, além de confirmar minha teoria sobre o lobby do asfalto ruim — ondas, rachaduras e buracos que nos fazem tropeçar e, como já aconteceu comigo anos atrás, cair e torcer a perna, além de danificar os automóveis que ali passam todos os dias –, pude ver, com bastante alegria e até alguma surpresa, que a tradição de Cosme e Damião continua valendo.

Muitas crianças nas ruas, com sacos e mochilas. Mas não estou falando de 10 ou 15, estou falando de centenas, mesmo. Se eu tivesse contado, na 1h e meia de caminhada que fiz, a quantidade de pequeninos atrás de doces, teria sem exagero computado umas 300 perambulando por aí, fora os pais e mães. Pelo menos.

Isso é Rio. O resto é conversa pra COI dormir.