Do Carnaval 2009

O mijódromo carnaval de rua do rio foi um sucesso. E não é ironia: foi o mais animado dos últimos sei-lá-quantos anos (se este teclado deixar eu digitar alguma coisa dirito, este texto sai). Muitos blocos, quase um a cada esquina, mas isso no Centro e na Zona Sul — Ipanema, Copacabana, Botafogo, muita gente na rua e muita animação, estive em vários blocos e pude comprovar. A música tocada, porém, nem sempre era interessante. As velhas marchinhas e os bons sambas de enredo do pasado ainda foram a melhor pedida.

Fora da Zona Sul, estive no Méier, onde havia uma grande aglomeração de foliões na Dias da Cruz. Um coreto oficial tentava animar o povo, nem sempre com sucesso. Havia um numeroso grupo de bate-bolas daqueles bem luxuosos com uma característica curiosa: vestiam tênis novíssimos, todos com a etiqueta da loja de departamento à mostra, como se tivessem que ser devolvidos no dia seguinte…

Infelizmente, o tal choque de ordem eu acho que foi passar o carnaval em alguma cidade do Nordeste. Na Zona Sul, especialmente em Ipanema, os mijões marcavam seu território a todo momento: portas de ferro de lojas, jornaleiros fechados e até caixas eletrônicos viraram locais de pontaria, não somente porque havia pouquíssimos banheiros químicos espalhados pelas ruas, mas principalmente pela sem-noçãozice característica da mistura álcool e eu-não-quero-nem-saber. Os calçadões de Copacabana estavam repletos, durante todos os dias (e principalmente noites) de camelôs vendendo todo tipo de mercadoria, desde comidaria passando por cangas, camisetas, perucas, biquinis, fantasias, bebida, artesanato… em alguns locais, mal se podia andar no largo calçadão de Copa. As praias estavam lotadas, e o mar gelado demais, mas na areia tudo parecia mais tranquilo que no calçadão…

De resto, os incidentes de sempre, caos no trânsito, metrô não dando conta de tanta gente, muitos assaltos a turistas mas uma boa constatação: os jovens estão, à sua moda, de várias maneiras, algumas meio sem-noção, resgatando e fato a alegria do carnaval carioca. Ao contrário de anos anteriores, quando a cidade ficava vazia e pouco se podia curtir, este ano as opções foram impressionantes. Tomara que a prefeitura finalmente perceba que o carnaval, além de grande fonte de renda vinda do turismo, merece ser bem cuidado para que os que moram na cidade possam igualmente usufruir desta alegria. Que venha 2010.

…..

Quanto à cobertura televisiva, os pontos baixos:

– a transmissão — para todo o Brasil diga-se de passagem, da apuração do carnaval de SP: ‘o que era’ Maurício Kubrusly e Chico Pinheiro falando ao mesmo tempo no momento crucial da apuração, tornando impossivel que o espectador entendesse o que estava acontecendo ? Por que não informaram o resultado completo ao final da transmissão ? Que comentários eram aqueles, alguns tão parciais (“estou tentando entender essa nota”), como se fossem os grandes entendedores do carnaval ?

– a não transmissão do Oscar 2009. A Globo tem os direitos e, como também é a exclusiva da transmissão do desfile carioca, ninguém mais na TV aberta pôde transmitir. O cinéfilo não merece.

Pontos altos:

– a estréia de Glenda Koslowski na transmissão dos desfiles cariocas: apesar do nervosismo da estreia, pagou poucos micos

– a divertida transmissão dos bastidores (ou, se preferirem, do ‘lado de fora’) do baile gay da terça de carnaval no Rio

Tentarei escrever mais em breve, fora deste cyber, quando tiver um teclado decente.